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O velho e bom aluguel

Quem nunca ouviu a história de que aqui, no Brasil, o melhor investimento que alguém poderia fazer durante a vida era comprar duas ou três casinhas para, na velhice, ter no aluguel uma fonte de renda garantida (além da irrisória aposentadoria do INSS), que atire a primeira pedra. Num país marcado, historicamente, por instabilidade econômica e sucessivas crises políticas, não foi difícil o imóvel – um bem físico e real – ocupar o posto de primeira opção de investimento entre os mais variados níveis financeiros.

“É inegável que investir em imóvel traz um conforto psicológico muito grande. Quem coloca 90% do seu patrimônio num imóvel dorme tranquilo; já quem aplica 50% dele em ações, por exemplo, não dorme tão bem assim”, avalia Mauro Halfeld, especialista no mercado financeiro nacional, professor titular da Universidade Federal do Paraná e autor de vários livros, entre eles Seu imóvel: como comprar bem. Segundo Halfeld, outra vantagem é que o imóvel é um grande disciplinador. “Nenhum outro investimento impõe tanta disciplina ao investidor porque, no geral, todo mundo se aperta, poupa daqui e dali para comprar uma casa, o que não ocorre, por exemplo, com uma aplicação, que recebe dinheiro somente quando sobra”, avalia.

José Roberto Saldanha Federig, vice-presidente de locação do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP), concorda que, especialmente numa sociedade de consumo, é muito difícil guardar dinheiro, mas diz ainda que tudo é uma questão de tradição. “É difícil definir o perfil de quem investe em imóvel. Se um pai lê o jornal A, provavelmente o filho também o lerá. A mesma coisa ocorre com os investimentos. Quem vive numa família que, tradicionalmente, aplica em imóvel, provavelmente vai achar que é um bom negócio”, afirma. Independentemente disso, o imóvel sempre foi e será um bem atrativo; soma-se a isso o fato da locação ser um dos entes mais dinâmicos do segmento imobiliário – e o mercado locatário, pelo menos de São Paulo, vai muito bem, obrigada.

“As expectativas para o mercado de locação são as melhores possíveis”, afirma José Roberto Graiche, presidente do Conselho Consultivo da AABIC, principalmente se considerarmos investimentos em imóveis residenciais e conjuntos residenciais de pequeno porte (um e dois dormitórios, ou de conjuntos comerciais de pequeno porte, em torno de 30 e 40 metros quadrados). “Nesses segmentos, o retorno financeiro está entre 0,8% a 1% do valor do imóvel. E ainda há de se considerar a valorização anual do patrimônio”, argumenta, completando que “é um investimento com valorização garantida e sem riscos. Nos últimos meses, só perde para a aplicação em ações”.

O professor Mauro Halfeld diz que, embora os imóveis rendam menos que as ações em longo prazo, são bem menos arriscados porque não têm liquidez. “O problema das ações é a enorme liquidez. Nos imóveis, as pessoas não saem vendendo tudo a qualquer rumor de crise. Além disso, investir em ações em curto prazo é imprevisível. Numa linha de opções de investimento, colocaria o imóvel no caminho entre as ações e a renda fixa em longo prazo”. Perguntado sobre a poupança, Halfeld até brinca: só investe nela quem tem pouco dinheiro ou é muito pão-duro.

José Roberto Graiche diz ainda que a valorização do mercado de locação não é apenas um processo de recuperação dos valores – que ficaram defasados durante muito tempo, o que levava os proprietários de muitos imóveis a preferir deixá-los fechados, ao invés de alugá-los. “Em 2003, o tempo para conseguir locar um imóvel em São Paulo era de seis meses. Hoje, trabalhamos com o prazo de 40 dias. E só não aluga quem está com o preço fora do mercado ou tem o imóvel em péssimo estado de conservação”.