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  Refúgio

Em momentos de emergência, provenientes dos desastres naturais, grandes espaços são necessários para garantir o atendimento das necessidades das vítimas. Com  esse objetivo, o Instituto de arquitetura Endo Shuhei desenvolveu o “Bourbon Beans Dome (Slowtecture M)”, complexo japonês situado na província de Hyogo.  Mesmo tendo um propósito claro, o local também servirá como um clube de tênis para uso regular.

O complexo está localizado em um parque da cidade (desenvolvido após o terremoto de Kobe Hanshin, de 1995) e tem como destaque a parte externa: uma cobertura formada por um esqueleto de aço perfurado com grandes clarabóias e as laterais revestidas de vegetação.

Ao todo, o complexo possui nove quadras de tênis – incluindo uma central, com arquibancada para 1.500 expectadores. Geralmente, quando um edifício com muitos assentos é construído, várias restrições legais são impostas; neste projeto, uma delas era a de manter um espaço livre de colunas, para ser utilizado para  coleta, organização e distribuição de suprimentos doados em todo o país. No meio da cúpula, a quadra central foi afundada 6 metros abaixo do nível do chão,  para evitar essa exigência.

Embora a cúpula seja usada normalmente como quadra de tênis, em caso de emergência veículos se deslocam para a cúpula e tendas de socorro e salvamento são  armadas. Embora seja um espaço interior, ao mesmo tempo, também é utilizada como um espaço exterior em termos de escala e de propriedade. Quatro grandes  entradas estão inseridas para permitir idas e vindas dos veículos. Além delas, outros acessos estão instalados na entrada da cúpula e no quintal.

Controle
A superfície contínua de telhado e parede é coberta com plantas em solo artificial em que a casca de cedro e cipreste japonês são misturados. Sementes de  plantas de dez espécies são pulverizadas sobre a inclinação de no máximo 70° (no início da pulverização, o estado da superfície era de solo preto, mas, seis  meses depois, as plantas cresceram).

A grama de superfície oferece o resultado necessário de isolamento na área de atividades. As plantas cobrem o prédio até a altura de 20 metros do lado sul;  no norte, em que o raio direto é pequeno, o prédio é coberto até a altura de 4 metros. O resultado do isolamento por vidros com plantas é eficaz, de modo que  a temperatura do interior da cúpula é de cerca de 300C, quando a exterior é de 400C no alto verão. Normalmente, grandes espaços interiores requerem  iluminação artificial, mesmo durante o dia; aqui, porém, ela é obtida a partir das três grandes claraboias, que reduzem o consumo de energia e de iluminação  artificial. O selo da proteção foi colado no vidro para reduzir o aumento da temperatura por raios diretos do sol; além disso; aberturas da grelha estão  instaladas para a ventilação gravitacional em torno das luzes superiores.

Necessidade
A planta assimétrica foi adotada, necessariamente, pela simples razão de estabilidade estrutural das bases, em parte desenvolvida sob terra de inclinação,  além da exigência do espaço livre para a atividade externa. Essas particularidades não servem apenas como anseio histórico ou ideal, que tende a cair, mas  para a personificação máxima da necessidade exigida, em busca de liberdade que não impede a atividade e o motivo dessa arquitetura. É também a necessidade de  enfrentar a diversificação do ambiente global e as ameaças da natureza.


O complexo Bourbon Beans Dome (Slowtecture M) cumpre as normas internacionais para os jogos de tênis.


Detalhe da iluminação: ao fundo é possível observar parte dos 1.520 assentos da quadra central, implantada 6 metros abaixo do nível do solo.


O telhado verde foi plantado com um rápido crescimento da grama para estabilizar o solo e evitar que ele deslizasse.


Claraboias ajudam a iluminar o interior do empreendimento. 

Pequena cúpula revestida em amarelo realça o projeto, onde predominam os tons verde (grama) e cinza (aço).


Particularidade da arquitetura de Shuhei Endo.


O complexo está situado na província japonesa de Hyogo.

Ficha técnica
Localização:
Miki, Hyogo (Japão)
Construção: Joint venture entre Kajima, Ando, Aisawa, Marusho e Hirao
Arquitetura: Instituto de Arquitetura Endo Shuhei
Data de conclusão: março de 2007
Área do terreno: 1.124,000 m2
Área construída: 16.168 m2
Acústica: AER
Telha metálica: Max Kenzo Roofing
Plantio no telhado: Obayashi Eco-Technology Research Institute
Vidros: Tahira Glass
Clarabóias: MakMax
Piso e parede de azulejo: The Arts and Crafts Research Institute
Iluminação: Fujiwara

Texto: Aline Cunha




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