Arquivos mensais: julho 2015

Tintas amigáveis

Com o objetivo de promover construções cada vez mais sustentáveis, surgem no mercado diversos produtos que visam reduzir as agressões ao meio ambiente. O setor de tintas não poderia ficar de fora. Um desses produtos é a tinta Solum. Com uma paleta de 15 cores, o produto tem como base a “tinta de terra” – um revestimento ecológico e sustentável desenvolvido com pigmentos minerais puros de terra e base aquosa não tóxica, livre de metais pesados encontrados em pigmentos sintéticos.

A tinta é produzida por meio de processo físico, sem auxílio de meio químico e com baixo uso de energia. A matéria-prima é extraída de jazidas certificadas e, durante a transformação em produto final, não há emissões tóxicas. Também é livre de Compostos Orgânicos Voláteis (COV’S), substâncias poluentes derivadas do petróleo, que agridem a camada de ozônio.

Quem idealizou o produto foi a arquiteta Letícia Achcar, adepta da arquitetura organicista, que há 25 anos realiza construções ecológicas no Brasil e na Europa utilizando a terra crua. Entre as qualidades do produto, a arquiteta destaca a intensidade das cores, que não desbotam porque o pigmento é mineral. A tinta também não possui plastificante, não cria película ou bolhas. É inodora e permite que a parede respire, pois a composição natural, sem resina acrílica, faz com que a umidade interna ao substrato seja trocada com o ambiente externo.

Inovações

Outras empresas também têm investido no conceito de sustentabilidade, como a AkzoNobel. A fabricante global de tintas e revestimentos, proprietária das marcas Coral e Sparlack no Brasil, lançou cinco novos produtos classificados como amigáveis ao meio ambiente. É o caso do Decora Luz & Espaço, um acrílico premium da Coral com a tecnologia internacional patenteada Lumitec – que provoca sensação de maior luminosidade e ajuda a tornar o ambiente mais claro. Com isso, o consumidor ligaria a luz mais tarde e obteria economia de energia elétrica.

Já a Rende Muito Tinting passou por uma adaptação em sua fórmula e se tornou uma tinta base, podendo agora receber pigmentação das máquinas do sistema tintométrico. O consumidor pode escolher mais de mil cores e usufruir do mesmo rendimento por litro das cores prontas. O produto dilui até 60% com água e pinta até 380 m2 por lata de 18 litros.

Outro produto que sofreu adaptação foi a Coralar Acrílico. A nova fórmula permite maior cobertura e baixa emissão de CO2 e teor reduzido de componentes voláteis (VOC). A oferta de cores do Coralar Acrílico foi expandida.

O verniz Sparlack Efeito Natural é uma novidade da marca Sparlack que conta com fórmula à base de água e teor residual muito baixo de voláteis orgânicos. O último produto apresentado, que surge agora na versão à base de água, é o Sparlack Extra Marítimo Base Água, que apresenta teor residual mínimo de voláteis orgânicos e baixo nível de CO2.

Imóveis em alta

Basta abrir os jornais, consultar os sites especializados na internet ou visitar os stands de vendas dos novos empreendimentos para comprovar que o preço do m² em São Paulo, de forma geral, subiu significativamente, deixando parte dos imóveis em um patamar jamais pensado há cinco anos. Falta de terrenos, estímulo da economia e programas governamentais de habitação – como o Minha Casa Minha Vida, estão entre os motivos apontados pelos especialistas do setor.

O Sindicato da Habitação (Secovi-SP) é uma das entidades que estuda esses fatores. Segundo seu economista-chefe, Celso Petrucci, na cidade de São Paulo foi detectado que o estoque de projetos aprovados vem caindo. Ao mesmo tempo, a venda tem sido maior nesse período e consome o estoque. “Por exemplo, se lançamos 3.000 unidades no mês, vendemos 4.000, ou seja, foram consumidas mais 1.000 unidades do estoque além dos lançamentos”, explica.

Petrucci aponta alguns fatores, como a falta de potencial construtivo de alguns bairros e de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepac) nas operações urbanas, entre outros.

A entidade comparou a valorização do metro quadrado ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e notou que os valores estão próximos; alega também que essa valorização está abaixo do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). “Desde março até junho, os índices ainda estão maiores que o preço da área útil. Isso mostra a aderência do mercado à demanda”.

Em algumas regiões da cidade, segundo o especialista, o preço não tem elasticidade. “Na Vila Nova Conceição, por exemplo, o metro quadrado pode custar R$ 10 mil ou R$ 12 mil, mas sempre haverá comprador. Porém, existe a franja de São Paulo, que oferece imóveis a partir de R$ 100 mil, 140 mil. Ou seja, o preço que subiu na Vila nova Conceição não será igual ao de Itaquera”, avalia.

Na opinião do diretor de economia do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Eduardo Zaidan, o mercado imobiliário estava reprimido durante muito tempo e começou a crescer a partir de 2007. “Era ameno, não havia financiamento, os imóveis eram inexistentes. Depois, a produção passou a ficar mais intensa e os terrenos, escassos. Tivemos inflação setorial e os índices subiram. Acredito que houve uma recuperação de preço em função desse mercado, que era reprimido”, diz.

Zaidan ainda considera muito cara a construção em São Paulo, lembrando que o setor ainda se ressente da falta de mão-de-obra especializada. “Cerca de um milhão de pessoas ingressaram no mercado, mas não podemos esperar que tenham a mesma produção de um profissional com experiência”, diz. Somente este ano, o Sinduscon – SP está oferecendo 46.500 cursos de qualificação, reciclagem e elevação de conhecimento para todo o estado de São Paulo.

Revisão polêmica

O desafio, afirma Zaidan, é superar a falta de terrenos. “Em algumas regiões não há mais estoque, como na Faria Lima, ou custa mais caro quando são muito demandadas. Mesmo na região leste, há subdistritos na Mooca onde também não há terrenos; no Belém, a mesma coisa. O Plano Diretor escasseou o potencial construtivo no estado e a sua revisão está empacada”, informa. O setor imobiliário pleiteia a atualização dos limites do Plano Diretor Estratégico (PDE) para construção em cada região, pois o cálculo usado foi realizado há muito tempo.

O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, também alega que, após décadas de hibernação, o setor imobiliário começou a crescer novamente. Isso seria fruto de mudanças de legislação, como a alienação fiduciária, além da própria estabilidade econômica, que dá condições mais amplas de expandir o setor, beneficiando uma população com demanda reprimida. “Começou-se a discutir se estaríamos entrando em um ciclo vicioso de crescimento de preços que pudesse ser entendido como bolha.”, afirma.

Segundo um estudo realizado pela MB Associados, os preços continuarão subindo porque há um forte processo de crescimento de demanda acima da oferta, e não por causa de uma bolha – que, de acordo com a definição dada por Joseph Stiglitz, aparece quando os preços sobem simplesmente porque os preços no futuro subirão, ou seja, quando os fundamentos de demanda e oferta não conseguem mais explicar a relação de preços naquele momento.

Átomos futuristas

Associada a diversas áreas de conhecimento como a eletrônica, física, química e engenharia de materiais, a nanotecnologia é uma das apostas da indústria do vidro para criar produtos diferenciados, que podem contribuir para um melhor controle acústico e solar e maior sustentabilidade.

O princípio básico desta promissora área é a utilização de átomos para a confecção de produtos. Apesar de parecer pós-moderno, o conceito de nanotecnologia não é tão novo assim. No distante ano de 1959, o físico e vencedor do prêmio Nobel, Richard Feynman, já focava seus discursos em palestras na futura existência de um campo de conhecimento baseado na miniaturização, capaz de criar pequenos e poderosos dispositivos.

Em 1986, Eric Drexler, considerado um dos pais da nanotecnologia, apresentou ao mundo o termo no livro Engines of Creation. A partir daí, a pesquisa científica da área se expandiu e já é empregada em setores como a indústria do vidro. Engana-se quem pensa que a nanotecnologia serve apenas para a criação de dispositivos pequenos com alto poder de processamento de informações – atualmente ela também é utilizada na confecção de materiais mais sustentáveis.

Um bom exemplo é a linha de vidros Bioclean, produzida pela Cebrace. Segundo o gerente de desenvolvimento de mercado da empresa, Carlos Henrique Mattar, o produto vem atender uma demanda de redução na manutenção em envidraçamentos de áreas de difícil acesso, como coberturas e fachadas. A capacidade de autolimpeza, característica principal do Bioclean, foi possibilitada graças à utilização de nanotecnologia na concepção da linha. “Havia a necessidade de uma ‘camada’ que trabalhasse com os recursos presentes na natureza e pudesse se regenerar constantemente”, explica.

A nanotecnologia permitiu utilizar sobre a superfície do vidro uma camada fina de dióxido de titânio que, ao entrar em contato com os raios solares UVA, reage com o oxigênio e as moléculas de água da atmosfera e produz radicais livres, ocasionando uma variação oxidativa. O dióxido é um elemento semicondutor muito utilizado como agente fotocatalítico (acelera uma reação química por meio da luz ou outra fonte de energia radiante); a propriedade fotocatalítica do mineral o torna um excelente aliado no controle de microorganismos nocivos ao homem.

A oxidação degrada os materiais orgânicos que comumente se depositam na superfície dos vidros e os transforma em moléculas voláteis, eliminando o uso de produtos de limpeza em sua face exterior. Assim, fachadas desenvolvidas com esse tipo de tecnologia não são afetadas por poeira, resquícios de chuva, respingos marítimos, poluentes atmosféricos ou orgânicos. Adicionam-se a esta vantagem competitiva a proteção contra os raios solares UV e a visão sempre nítida, mesmo em dias chuvosos.

De acordo com a Cebrace, se corretamente especificado e com a inclinação adequada, a ação autolimpante do produto é ativada em poucos dias após a primeira exposição à luz solar, reagindo de acordo com o grau e a natureza das sujidades. A empresa indica o uso do vidro com propriedades nanotecnológicas (cuja espessura é de 4 mm) sempre em áreas externas, como fachadas, coberturas (com inclinação acima de 10%), janelas, portas e sacadas, bem como em setores de infraestrutura, como aeroportos ou pólos industriais – estes últimos, por estarem sujeitos a altos níveis de poluentes.

Sobre o uso da nanotecnologia em outros produtos da empresa, Mattar explica que a Cebrace costuma avaliar como as tecnologias produzidas globalmente no grupo formado pela joint-venture entre a japonesa NSG/Pilkington e a francesa Saint-Gobain podem ser aplicados no Brasil. “No momento, estamos concentrando nossos esforços na linha de vidros para controle solar, que devem passar por uma nova evolução”, declara.